CORPO

13/03/2014
O seu jeito de comer

Quanto tempo você consegue seguir uma dieta sem escorregar? Se você for muito bom de autodisciplina, vários dias, quem sabe semanas ou até mesmo alguns poucos meses. E o que acontece depois? Há algum tempo a ciência já sabe que, por melhor que seja a dieta, a maior barreira é fazer com que as pessoas consigam segui-la. As pessoas comem todos os dias, várias vezes ao dia, para sempre.

Por isso, gostaria de propor hoje pensarmos não mais em dietas, mas no seu jeito de comer. Um jeito que você faz todos os dias, várias vezes por dia, e que fará para sempre.

Tire um minuto para pensar em todas as coisas que você comeu hoje, imaginando-as lado a lado sobre uma mesa. Visualize a imagem na sua cabeça e me diga: o que você acha do que você anda comendo? A quantidade lhe parece adequada? Esses alimentos que você consegue visualizar, comparado com o que você já sabe sobre alimentação, podem ser considerados saudáveis?

Agora tire a imagem da sua cabeça por um momento, feche os olhos e traga a sua atenção para as sensações que a comida proporciona ao seu corpo. Como você se sente digerindo esses alimentos? Qual é a sensação que estes provocam na sua boca, no seu estômago, nos seus intestinos? Que relação você pode perceber entre o que você come e a forma como você se sente? Existe algum alimento que você percebe que lhe faz especialmente bem ou mal? Que alimentos contribuem para você se sentir bem? Que quantidade de alimento é necessária para matar sua fome? De quanto em quanto tempo você precisa se alimentar novamente? De que alimentos você prefere se alimentar? Como você os prepara? Como você os saboreia?

Encontrar o seu jeito de comer é um exercício de autoconhecimento. Não adianta cortar o glúten ou os carboidratos e começar a tomar suco verde sem antes saber o efeito que cada uma dessas substâncias provoca no seu corpo e no seu bem estar. Você é a melhor pessoa para descobrir isso.

Entretanto, raramente pensamos sobre essas questões tão profundamente quanto deveríamos. Na verdade, nossa alimentação é composta por hábitos muitas vezes formados ainda na infância, que vamos repetindo sem saber exatamente por quê.

Por exemplo, pense em um alimento que você sabe que não gosta. Tente se lembrar da última vez que o experimentou. Quanto tempo faz isso? Aposto que várias coisas já mudaram de lá para cá. Quem sabe a sua relação com este alimento também não possa ser diferente? E as quantidades? É possível que a quantidade que você coma tenha a ver com a sua fome, mas também com o tamanho da sua louça, com o tempo que passa à mesa, com o seu nível de estresse, e que muito disso passe despercebido. Ao preparar seu prato, pense na quantidade que você precisará comer naquele momento, considerando as demandas daquele dia.

Além disso, ao terminar de se alimentar, pense nas perguntas do início deste texto. Assim você vai poder encontrar o jeito de comer que realmente lhe faz bem e, se for o caso, fazer as mudanças que lhe pareçam necessárias. Sem dieta, todos os dias, para sempre.

Dra. Aline Sardinha – Psicóloga Clínica e Coach (CRP:34.146)



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