CORPO

20/10/2014
Corpos sarados são sinônimo de saúde?

Vem chegando o verão... e, com ele, o desfile de jovens com braços extremamente musculosos, popularmente chamados de “sarados”, orgulhosos em exibi-los. Isso é reflexo de treinamento muscular, mas também pode significar um distúrbio de autoimagem.

A dismorfia muscular ainda não está classificada nos manuais oficiais de psiquiatria, mas já vem sendo reconhecida e tratada por psiquiatras e psicólogos nos últimos anos, uma vez que se tornou bastante prevalente e os prejuízos para a saúde dos seus portadores são visíveis. A dismorfia muscular está presente quase que exclusivamente em homens e consiste em preocupação específica com o volume corporal e o desenvolvimento dos músculos.

O portador de dismorfia muscular apresenta distorção da autoimagem corporal- percebe seus músculos como muito pouco desenvolvidos, apesar da visível hipertrofia muscular- e procura ativamente aumentar sua massa muscular através de exercícios excessivos combinados com uso de substâncias anabolizantes, suplementos alimentares e dietas hiperprotéicas, geralmente consumidos sem nenhuma orientação ou prescrição médica.

Produtos aparentemente inócuos, como suplementos e vitaminas vendidos sem controle, podem, na realidade, causar efeitos clínicos importantes, além de manifestações de natureza psiquiátrica como depressão, ideação suicida, mania e psicose. Em função das estratégias utilizadas pelos pacientes para lidar com a dismorfia muscular, é bastante provável que os profissionais de saúde em maior contato com eles sejam os ligados à prática de exercícios físicos, como médicos especialistas e educadores físicos, e também que sejam estes os profissionais com maior possibilidade de se deparar com o transtorno e identificá-lo ainda em suas fases iniciais.

A dismorfia muscular, ao contrário do que ocorre em outras condições, como a anorexia, por exemplo, é um transtorno que inicialmente pode passar despercebido, em função da aparência fisicamente saudável dos indivíduos acometidos. Recentemente foi proposto no Brasil um critério simples que serviria como indicativo para suspeita da doença: na maioria dos pacientes com dismorfia muscular, o perímetro do braço contraído é maior do que a circunferência da panturrilha contraída. Este não é um critério diagnóstico, mas pode ajudar a identificar e tratar precocemente estes jovens.

A boa notícia é que alguns estudos já demonstram a eficácia da psicoterapia cognitivo comportamental para estes casos, principalmente quando diagnosticados no início.

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga Clínica e Coach (CRP/05:34.146).





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