MENTE

25/02/2013
O cérebro e os pecados capitais

Há muito se sabe que os seres humanos apresentam uma predisposição para certas “fraquezas de caráter”: gula, preguiça, ira, inveja, soberba, luxúria, avareza... e tantas outras que podemos enumerar. Mas você já parou para pensar porque viemos com essas características que tanto atrapalham a nossa vida?

Ao longo da evolução da espécie humana, na época dos homens das cavernas, fazia sentido querer se reproduzir com o máximo de parceiros possíveis, comer tudo o que pudesse (especialmente grandes fontes de energia, como os alimentos ricos em açúcares e gorduras!), gastar o mínimo de energia necessária à sobrevivência, gostar de descansar, de confraternizar com outros humanos, querer acumular o máximo de ferramentas possíveis e, se possível, desejar ter mais objetos do que os outros.

Temos inclusive um sistema cerebral voltado para nos motivar a buscar sexo, comida, descanso, prazer, relacionamentos sociais, status etc.
Isso quer dizer que um ser humano comum jamais vai preferir um prato de alface a um pedaço de picanha, muito menos ir trabalhar ao invés de descansar ou ir confraternizar. Na verdade, travamos uma batalha diária contra a nossa tendência ancestral aos “pecados capitais”. Passamos o dia resistindo, controlando impulsos e nos adaptando às demandas da vida civilizada. Sorte que os humanos também vieram dotados de fábrica de uma grande área do cérebro responsável por controlar impulsos, planejar comportamentos e adiar recompensas.

Como não poderia deixar de ser, viver administrando este cabo-de-guerra interno gera estresse! Portanto, da próxima vez que a parte disciplinada do seu cérebro vencer a batalha e você conseguir levantar da cama mais cedo do que gostaria, ou quando decidir ir gastar calorias na academia, apesar dos muitos esforços da outra parte do cérebro que acha isso um grande desperdício de energia, parabenize-se! Por mais que as demandas da vida exijam que a gente faça escolhas contrárias à nossa natureza na maior parte do tempo, não podemos deixar de reconhecer nosso esforço. Saber que venceu uma batalha interna é mais justo do que achar que, no fundo, você não passa de um incorrigível e preguiçoso glutão!

Aline Sardinha - Psicóloga clínica e Coach (CRP/05:34.146)






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