MENTE

22/03/2014
Hábitos, rotinas e atalhos

Você já parou para pensar que a cabeça dos seres humanos, comparada a dos outros animais, é bem menor, principalmente considerando tudo o que nosso cérebro é capaz de fazer? Imagine se nosso cérebro tivesse o mesmo nível de aproveitamento de espaço dos elefantes e toda a nossa capacidade mental... nossa cabeça pesaria pelo menos uns 100 quilos! Contudo, para dar à luz a um filhote com uma cabeça desse tamanho, as mães humanas teriam que ter um quadril proporcionalmente largo e, finalmente, sua anatomia as impediria de serem bípedes.

Isso tudo para explicar que nosso cérebro se organiza aproveitando e otimizando todo o espaço disponível! Muitas habilidades contribuem para isso, por exemplo, a linguagem. Se tivéssemos que descrever um computador para um marciano, possivelmente levaríamos horas explicando cada detalhe. Entretanto, ao dizermos a palavra computador, outros seres humanos podem entender exatamente o que queremos dizer. Dessa forma, economizamos tempo e espaço de armazenamento de informações no nosso cérebro.

Na verdade, nosso cérebro é expert em criar atalhos e simplificações que aumentem a sua velocidade de processamento, diminuam o gasto energético e comprimam um monte de informação em pouco espaço. Se você parar para observar, muitos dos nossos comportamentos são compostos por hábitos e rotinas sobre os quais temos que pensar muito pouco. Posso acordar pela manhã, desligar o despertador, tomar banho, preparar o café da manhã, escovar os dentes, ligar o carro, manobrar na garagem e dirigir para o trabalho quase automaticamente.

Entretanto, se tivermos que quebrar essa rotina de alguma forma, a quantidade de energia gasta será muito maior. Nossos hábitos funcionam como se fossem a discagem rápida do celular: ao toque de um número, chamamos alguém cujo telefone exigiria que digitássemos várias teclas. Da mesma forma, executamos nossa rotina matinal no piloto automático ao ouvir o toque do despertador. Uma atividade puxa a outra, até o final.

Para poupar tempo e energia, tendemos a fazer sempre as mesmas coisas, da mesma forma, comprar as mesmas marcas, percorrer os mesmos caminhos, comer os mesmos alimentos etc. Por isso também é tão difícil mudar esses hábitos e alterar nossas rotinas. Imagine a quantidade de energia necessária para inserir na rotina matinal uma ida à academia? Até que a prática do exercício pela manhã seja incorporada ao hábito, a pessoa precisará ter que se adaptar à nova demanda todos os dias, quando antes quase não precisava pensar.

Por isso, para alterar nossos hábitos, precisamos identificar as rotinas, desmembrá-las em pequenos comportamentos, inserir o novo comportamento e encadeá-lo na rotina anterior. Feito isso, precisamos ainda praticar por vários dias até que tenhamos estabelecido uma nova sequência, já incorporando o novo hábito, sem termos que pensar muito sobre isso. É como se editássemos o número do telefone de um contato da nossa discagem rápida. Ao apertarmos a tecla, o número discado será outro, mas o destinatário será o de sempre.

Dra. Aline Sardinha – Psicóloga Clínica e Coach (CRP:34.146)





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