MENTE

04/05/2014
E se?

E se essa pintinha no meu braço for um câncer? E se eu pegar um engarrafamento inesperado e chegar atrasado? E se eu me esquecer de levar tudo o que eu preciso? E se qualquer coisa acontecer no trabalho, em casa, com meus entes queridos, no mundo...? Mesmo que não haja motivos aparentes para você acreditar que algo ruim e inesperado possa acontecer, apenas imagine todos os possíveis cenários catastróficos relacionados a uma situação. Pense em como seria ruim e que coisas você poderia fazer. Melhor estar precavido! Se existisse manual para se tornar uma pessoa preocupada e estressada, essas seriam as regras básicas.

Ironias à parte, e possível que você já tenha se percebido funcionando desta maneira. Como isso lhe fez sentir? Ansioso, preocupado, estressado, com medo, talvez até sentindo alguma coisa esquisita no corpo. Se seu cérebro estava prevendo e se preparando para uma serie de catástrofes, você não poderia estar se sentindo bem, não é mesmo? Agora imagine viver assim quase o tempo todo...

Estima-se que aproximadamente 6% da população mundial sofra de preocupação excessiva, a ponto de gerar prejuízos para o funcionamento social, ocupacional e, principalmente, para a saúde. Entretanto, como saber se o seu nível de preocupação é normal? Somos bombardeados o tempo todo com exemplos de coisas horríveis que podem, de fato, acontecer. Além disso, desde cedo, aprendemos que um pouco de preocupação pode nos deixar mais motivados, ajudar a resolver problemas e a não ser pegos de surpresa.
Qual é, portanto, a dose certa de preocupação?

Infelizmente não existe resposta simples para esta questão. Sabemos, contudo, que, se passamos a maior parte do tempo preocupados, é difícil parar de se preocupar, sintomas físicos estranhos começam a aparecer (enxaqueca, dores musculares, problemas de estomago, problemas de pele, palpitações etc) e o humor irritável passa a ser constante, a preocupação passou dos limites e agora responde pelo nome de Transtorno da Ansiedade Generalizada. Não se iluda. Excesso de preocupação não torna ninguém mais responsável, profissional, produtivo ou competente. Na verdade, o que vemos é o contrario. Excesso de preocupação é um transtorno de ansiedade e, como tal, atrapalha a vida e gera sofrimento, até que seja adequadamente tratado.

Antes que você comece a se preocupar com o fato de estar se preocupando em excesso, devo dizer que hoje em dia existe tratamento eficaz para isso. A combinação de medicamentos e Terapia Cognitivo-Comportamental é a opção que tem apresentado os melhores resultados. Procure um profissional de saúde.

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga clínica e Coach (CRP/05:34.146).






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