MENTE

06/02/2015
Você tem boa memória?

Shakespeare escreveu que “a memória é a guardiã do cérebro”. Entretanto, costumamos nos referir à memória de um modo um tanto vago. O que significa ter boa memória? Na realidade, quando falamos de memória, estamos falando de um conjunto de funções mentais com função de armazenamento de informações que funcionam em paralelo. A memória, como normalmente nos referimos, é quase uma metáfora. Da forma como o senso comum entende a memória, parece que existe uma caixinha do tesouro, em algum lugar da nossa cabeça, onde ficam guardadas as informações. Isso não poderia ser mais falso.

Talvez seja mais adequado falarmos em processos de memória. Por exemplo, eu sei quem descobriu o Brasil e também sei andar de bicicleta. Contudo, será que eu consigo colocar em palavras quais são os programas mentais que eu uso para andar de bicicleta sem perder o equilíbrio? Possivelmente não. E essa é a primeira diferenciação importante a ser feita: memórias que podem ser expressas em palavras (declarativas) e memórias que não podem (não declarativas). Quer outro exemplo? Cheiro de terra molhada... dá para descrever? As memórias não declarativas tem a ver com vivências motoras, sensoriais e emocionais e as declarativas dizem respeito a conteúdos expressos em palavras.

Outra distinção importante para refletirmos é sobre os diferentes tipos de memória declarativa. Eu posso saber quem descobriu o Brasil, quando e como o fez; mas isso é bem diferente das funções mentais usadas para entender que o Brasil é um país e o que isso significa. O conceito de “país” está armazenado na minha mente. Eu posso até me lembrar do momento em que eu aprendi quem descobriu o Brasil, mas provavelmente não conseguirei determinar quando e como eu aprendi o que é um “país”. “País” é, para nós, um conceito; e esse é um tipo de memória completamente diferente de saber quando e onde algo aconteceu.

Agora eu lhe pergunto: quando dizemos que alguém tem boa memória, de que “memória” estamos falando? Normalmente, nesses casos, estamos nos referindo a memórias declarativas e relacionadas a o contexto (o que, quando e onde). Mesmo assim, que elementos usamos para chegar a conclusão de que essa nossa capacidade é boa ou ruim? Quais os nossos critérios de avaliação? Pense nisso antes de classificar a sua memória como boa ou ruim.

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga clínica e Coach (CRP/05:34.146)






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