SEXUALIDADE

19/02/2013
O ladrão do desejo

Apartamento próprio, carros na garagem, bons empregos, empregada doméstica e filhos crescidos. Parece o cenário de tranquilidade e prosperidade que faria qualquer casal ter uma vida conjugal feliz e satisfatória, certo? Nem sempre.

Imagine que você chega a casa às 21h, janta, conversa com seus filhos, assiste um pouco de televisão, toma banho e... continua pensando nos problemas do trabalho até cair, exausto, no sono. Esse cenário parece familiar? Vamos acrescentar então que os filhos precisem de ajuda para fazer as tarefas de casa, que carro tenha dado defeito e que a empregada queira um aumento. Tudo isso depois de um longo dia de trabalho. Agora parece mais real? Nesta história, qual o lugar do sexo?

Numa situação como essa, se o casal não tem uma frequência sexual satisfatória, podemos dizer que estão apresentando uma baixa do desejo sexual? Normalmente, o desejo sexual ocorre em situações de relaxamento, descontração e fortalecimento do vínculo afetivo entre o casal. Imagine quantas vezes por semana o casal deste exemplo tem a possibilidade de ter um tempo que permita isso.

Além disso, o cansaço físico e mental também atrapalham o desejo sexual, já que dormir e descansar passam a ser a prioridade do corpo. A motivação para qualquer outra atividade, inclusive o sexo, se reduz substancialmente diante do desgaste.

Por último, como se não bastasse, o mecanismo psicofisiológico do estresse é quase incompatível com o mecanismo psicofisiológico que produz o desejo sexual. Assim, na maioria das vezes, se estamos estressados, estamos quase impedidos fisicamente de sentirmos desejo. O corpo está em alerta e o sistema nervoso está atuando de maneira antagônica ao relaxamento que produz desejo e o maior fluxo sanguíneo para as regiões genitais.

Infelizmente, não há uma receita única para resolver esse problema que os casais modernos tem enfrentado. Cada casal terá, com ou sem ajuda profissional, que encontrar maneiras de solucionar este quebra-cabeça e preservar a relação conjugal.

Entretanto, o entendimento de que a falta de desejo pode ser, como vários outras manifestações já conhecidas, um simples sintoma de estresse, pode evitar que o casal a veja como sinal de falência do amor ou ameaça ao relacionamento. Entender pode ser o primeiro passo para, colaborativamente, chegar a uma solução para o problema.

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga clínica e Coach (CRP/05:34.146)









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