SEXUALIDADE

20/06/2014
Dois amores

É possível amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo? Essa é daquelas perguntas que vem carregadas de uma miríade de sentimentos: culpa, desejo, paixão, arrependimento, medo... O que fazer quando duas pessoas ocupam o mesmo coração? Será que eu estou ficando maluco (a)?

Apesar de socialmente condenável, amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo é absolutamente possível... e comum. Não devemos, contudo, confundir o vasto conjunto de sensações a que chamamos amor com paixão.

A paixão, entendida aqui como aquele sentimento intenso, que gera sensações físicas, síndrome de abstinência e alterações tanto do comportamento quando do pensamento, normalmente está direcionada a uma só pessoa. A paixão é, quimicamente, monogâmica. O amor não. O amor pode ter várias caras e ser dividido infinitamente. Dessa forma, eu posso amar alguém e, ainda assim, me ver completamente apaixonado por outra pessoa. Apesar de não serem mutuamente excludentes e de ocorrerem muitas vezes ao mesmo tempo, amor e paixão não andam necessariamente sempre juntos. Daí a confusão...

Deixando de lado todo o tipo de juízo de valor, é possível e até provável que, se a paixão que existia em um relacionamento foi sendo, aos poucos substituída por outros sentimentos (carinho, amor, companheirismo etc), o lugar da paixão fique desocupado e esta volte a aparecer. E não necessariamente direcionada à mesma pessoa de antes.

A regra aqui é: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Como todos os que se percebem amando duas pessoas sabem, os dois amores não competem entre si... eles se complementam. Ideal seria que se pudesse "ter os dois”... Exatamente porque o amor que veio depois não ocupa o lugar do primeiro. O outro amor ocupa o lugar que estava vago.

Não estou aqui defendendo a bigamia ou o adultério. Entretanto, a ciência do amor nos ajuda a entender coisas que as regras morais ou sociais desconsideram. A existência de um outro amor quando já se tem um relacionamento pode ser muito informativa. Ela nos mostra exatamente que lugares estavam vagos em um coração, ou seja, que necessidades daquela pessoa o atual relacionamento não está atendendo.

É pouco provável que um relacionamento, por melhor que seja, consiga preencher todas as necessidades de alguém. Há sempre algo que falta e que nos motiva. Por isso, não podemos culpar nosso par por não atender a todas as nossas necessidades. Entretanto, não podemos deixar de lado a noção de que é exatamente este o espaço que se abre para a ocorrência de um novo amor.

Por isso, mais produtivo do que se render à culpa e à dúvida é entender que necessidades nossas estão ou não sendo atendidas por cada um dos dois amores. Sem esta reflexão, ao escolhermos um lado, o outro deixará de ser atendido necessariamente. E o ciclo se reinicia...

Dra. Aline Sardinha – Psicóloga Clínica e Coach (CRP:34.146)







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