SEXUALIDADE

27/01/2015
Identidade sexual

Quem você é sexualmente? Quais suas crenças, preferências, fantasias, inseguranças, medos, boas e más lembranças? Que coisas você aprendeu ao longo de sua vida sexual? O que você espera do seu parceiro sexualmente? Onde se esconde o seu desejo? Quais seus limites? Você já teve coragem de fazer essas perguntas a si mesmo? E a seu parceiro?

Quando conhecemos alguém, os primeiros encontros costumam ser repletos de perguntas, revelações, histórias e descobertas. Precisamos nos apresentar e saber o máximo sobre o outro. Os parceiros precisam se conhecer. Vida, trabalho, família, amigos, infância, escola, preferências... qualquer coisa é assunto das interações iniciais de um casal. Se tudo funciona bem nessa fase, em breve estarão na cama.

É comum estarmos na cama com alguém de quem sabemos o máximo de coisas que foi possível compartilhar nos momentos que antecederam o sexo. Entretanto, antes de dividir a cama com alguém, raramente sabemos muito sobre a identidade sexual dessa pessoa. Na realidade, muitas vezes, mesmo depois de muitos encontros, ou até mesmo de anos de casamento, frequentemente não sabemos tanto sobre o sexo do outro quanto sabemos sobre os demais assuntos.

A questão aqui é: se frequentemente não falamos sobre sexo, como saber? E se não sabemos, como a vida sexual poderá ser satisfatória? Imagino que você já deva estar pensando que sexo é algo que a gente “simplesmente sabe”, ou de que “não temos necessidade de falar”, ou mesmo de que “é melhor não saber”. Nesse momento, faço aqui um convite à reflexão. Por quê? Por que nos interessamos e nos esforçamos para compartilhar e participar de todos os aspectos da vida do outro, menos do sexo?

Imagine como seria difícil os casais conseguirem fazer algo tão prosaico quanto sair para jantar se as preferências gastronômicas do outro fossem tabu... algo sobre o que não se pode perguntar, “melhor não saber”? Ou se fosse constrangedor mencionar que tipo de filme a pessoa gosta de assistir, quais já assistiu, se prefere com ou sem pipoca... Convidar alguém para ir ao cinema seria bem mais complicado do que costuma ser.

Pois é exatamente isso que os casais costumam fazer com o sexo. Um convite sexual no escuro pode ser como levar alguém para jantar sem saber o que o outro gosta de comer, se tem alergias, se já esteve naquele restaurante ou mesmo se está com fome. Tabu. E durante o programa, como saber se está sendo agradável para ambos? Não se pode elogiar diretamente a comida e, ainda que algo desagrade, a expressão deve ser sempre ambígua, protocolar. Ninguém se sentiria confortável em fazer ou aceitar um convite desse, não é mesmo? Principalmente se do sucesso desse momento dependesse a continuação do relacionamento e a felicidade do casal.

Falar de sexo hoje em dia é fácil para a maioria das pessoas. Falar da sexualidade, porém, ainda costuma ser um desafio. Abrir o baú da própria sexualidade para o parceiro, para muitos casais, parece missão impossível, inimaginável, constrangedor. Se falar da vida sexual é tabu, resta entre o casal um abismo que acaba sendo preenchido por especulações, angústias e falhas de comunicação. Quando não sabemos, imaginamos. Normalmente, com módicas taxas de acerto. Temos, assim, um prato cheio para os desajustes sexuais e os conflitos de casal.

Dra. Aline Sardinha – Psicóloga Clínica e Coach (CRP:34.146)







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