TRABALHO

08/01/2015
Burnout: a síndrome do cansaço mental

Todos nós conseguimos identificar os sinais de cansaço físico: sono, fadiga muscular, dores no corpo etc. Entretanto, assim o como corpo, nosso cérebro também se cansa quando abusamos dele. Por cansaço mental, podemos entender desde redução da capacidade de atenção, memória e concentração, até sintomas de humor como desmotivação, irritabilidade e até depressão.

É como se o cérebro resolvesse “entrar em greve” para se autopreservar. Imagine se o cérebro um dia se cansasse e dissesse: “Estive trabalhando em regime de hora extra nos últimos tempos e agora vou ficar um pouco aqui na cama descansando e, consequentemente, você não vai ter ânimo e capacidade mental para fazer nada!”. Isso mesmo, você está mentalmente esgotado!

Os sintomas de esgotamento mental aparecem de maneira gradual e crescente e são bons indicadores da necessidade do corpo de sair do “modo estressado” o quanto antes. Uma síndrome decorrente da exposição prolongada ao estresse muito estudada atualmente é a chamada Síndrome de Burnout.

Este é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido inicialmente pelo psicanalista nova-iorquino Herbert J. Freudenberger, na década de 70. Originalmente estudada como uma síndrome ligada ao estresse no trabalho, a Síndrome de Burnout parece ocorrer em pessoas que apresentam uma dedicação exagerada à atividade profissional.

O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra característica importante da síndrome: o portador de Burnout comumente mede a própria auto-estima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com satisfação e prazer, termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio, necessidade de se afirmar e o desejo de realização profissional se transforma em obstinação e compulsão, gerando um estado permanente de tensão física e emocional.

Com o passar do tempo, este mesmo indivíduo passa a experimentar uma profunda apatia e desinteresse pelo trabalho, bem como pelos relacionamentos sociais e aos significados emocionais ligados a este. É como se a pessoa fosse paulatinamente deixando de se importar como uma maneira de se proteger.

Essa síndrome foi inicialmente descrita como ligada a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores). Hoje sabemos, contudo, que a síndrome de Burnout ocorre mais comumente ligada à atividade profissional, mas que pode aparecer também em pessoas que se dediquem desta mesma maneira a outras atividades, como cuidar de um parente enfermo por longo período, ou mesmo em donas de casa. De modo geral, esse quadro de apatia extrema e desinteresse é considerado não como sinônimo de estresse, mas como uma de suas conseqüências mais graves.

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga clínica e Coach (CRP/05:34.146).





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