VIDA

09/12/2013
O método Michelangelo

O grande artista Michelangelo acreditava que ele não era o criador de nenhuma das suas obras de arte. Segundo ele, cada uma de suas esculturas já existia no mármore e seu trabalho consistia apenas em retirar o excesso de pedra até que se pudesse ver a beleza que havia embaixo dela. Quem já viu uma de suas obras sabe que essa é uma forma bastante modesta de descrever seu trabalho.

Entretanto, penso nisso toda vez que alguém chega ao consultório buscando “se conhecer melhor”.
O trabalho do psicólogo ou do coach, por vezes consiste em ajudar as pessoas a retirar de cima dos ombros todo o excesso de material que as impede de perceber quem de fato são, o que buscam da vida e quais seus verdadeiros desejos. Quando nos percebemos perdidos, sem saber que direção tomar, é possível que estejamos carregando sobre quem realmente somos um monte de poeira física e mental. Uma montanha de entulho acumulado ao longo da vida que nos impede de prosseguir rumo à autorrealização: rancores, medos, crenças desatualizadas sobre nós mesmos e sobre o mundo, hábitos pouco saudáveis.

Tudo isso pode estar há tempos acomodado sobre nós de maneira quase imperceptível, mas certamente pesado demais para ser carregado no caminho rumo à mudança. As vezes precisamos de ajuda profissional para refazer nossa escultura, para retirar cada pedra que está lá ocultando quem realmente somos. Para fazer grandes mudanças na vida, muitas vezes precisamos nos libertar de um bloco de mármore que nos aprisiona. Sem conseguir enxergar onde estamos e quem somos no presente, como planejar mudanças para o futuro? Como buscar algo se não sabemos exatamente o que estamos buscando? Em uma primeira olhada, o que eu estou dizendo pode parecer complicado ou filosófico demais. Entretanto, posso garantir que esse processo de descoberta costuma ser mais simples do que parece.

Experimente fechar os olhos por um momento e se pergunte: Como eu era quando criança? Do que eu gostava? O que eu deixei de fazer na minha vida sem me dar conta? Que transformações foram ocorrendo em minha e na minha personalidade ao longo da vida? Finalmente, quem eu sou agora? O que eu priorizo? O que eu gosto? Quem eu gostaria de ser e o que gostaria de fazer todos os dias daqui a 20 anos? Determinar onde se está e para onde se deve caminhar é o primeiro passo de qualquer mudança. Boa sorte!

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga clínica e Coach (CRP/05:34.146).







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