VIDA

24/02/2014
A ditadura da urgência

Pressa. Hoje em dia raramente alguma coisa pode esperar. Temos que fazer muitas coisas, de preferência, rápido. Tudo é urgente. A ditadura da urgência tem muitas consequências negativas, como o aumento do estresse, a irritabilidade ao menor atraso, o desgaste no relacionamento interpessoal etc. Mas talvez a principal questão sobre esse excesso seja que, quando tudo é urgente, corremos o risco de perder a noção do que é realmente importante.

Alguém que nos chama ao celular, um email que aparece em nossa caixa de entrada, o filho que chora, o colega que pede ajuda, mil e uma demandas que nos são apresentadas diariamente. Como o tempo é finito, como priorizar? Muitas vezes, as pequenas tarefas que aparecem na nossa vida se tornam prementes exatamente porque aparecem subitamente. Entretanto, premente não é urgente. Urgente é o que não pode esperar, como um filho na porta da escola. Premente é algo que está nos pressionando. Por mais que pareçam sinônimos, há aí uma grande diferença. Aquele que liga insistentemente para o nosso telefone pode ser tornar premente, sem que sua necessidade seja necessariamente urgente. A vontade de comer uma barra de chocolate, ao vê-la, pode ser premente, sem que seja de verdade algo sem o qual não se possa viver.

O que nos pressiona pede uma solução como forma de aliviar a pressão. Vivemos nos livrando do desconforto que essas demandas geram. Contudo, muitas vezes, essas são apenas situações corriqueiras com pouca relevância prática. Se vivemos apagando incêndios, não conseguimos o a concentração, a tranquilidade e o tempo necessários para nos dedicarmos ao que é de fato importante. Quer um exemplo? Experimente escrever um relatório importante na presença de uma criança. Possivelmente você vai ser interrompido tantas vezes que o resultado ficará léguas aquém do que ficaria se você pudesse ter se dedicado inteiramente.

Muitas vezes não conseguimos evitar completamente as premências, principalmente aquelas geradas pelas pessoas a nossa volta. Um cônjuge que esquece de pagar uma conta no dia do vencimento, um filho que chama, uma ligação, um pedido de última hora do chefe, um colega que não conseguiu entregar a parte dele no trabalho a tempo. Porém, podemos começar a treinar nosso cérebro para identificá-las e decidir, a cada vez, se essa tarefa é realmente urgente ou apenas premente. Ao nos livrarmos desse monte de tempo gasto com falsas urgências, podemos recuperar a noção do que é importante e, então, devolver nosso foco às reais prioridades.

Dra. Aline Sardinha: Psicóloga clínica e Coach (CRP/05: 34.146)




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