VIDA

07/03/2014
Como ajudar?

A natureza sabiamente nos deu a capacidade de experimentar um pouco da dor dos outros exatamente para que esse incômodo faça surgir em nós comportamentos altruístas. Quando alguém que amamos está sofrendo, imediatamente, algo dentro de nós começa também a incomodar. Dependendo da força do vínculo que temos com a pessoa que está passando por um momento difícil, a sensação que experimentamos é quase como se pudéssemos compartilhar um pouquinho daquela dor, mesmo que o assunto em si não nos diga respeito. Rapidamente, nos vemos tomados pela necessidade de fazer aquele sofrimento desaparecer.

Entretanto, nessa hora, o que devemos fazer?
Na verdade, não existe uma resposta única para essa pergunta. As estratégias para lidar com sofrimento variam de pessoa para pessoa, de caso para caso e podem, ainda, mudar para um mesmo indivíduo, em uma mesma situação, dia após dia. Parece confuso e, na verdade, é mesmo. Enquanto algumas situações exigem que façamos algo para solucionar um problema, em outras nada temos a fazer senão tentar lidar com o sentimento negativo.

Imagine que um filho esteja enfrentando a perda de um emprego. Podemos atuar de diversas maneiras: ajudando-o a se recolocar no mercado, a fazer coisas para se sentir menos triste, a pagar as contas de casa ou mesmo apenas ouvi-lo repetir o quanto a sua demissão foi injusta. O que é melhor? Na verdade, depende.

Se tivermos que criar uma regra ao ajudar o outro, talvez essa seja se colocar disponível para ajudar da maneira que a pessoa achar melhor. A cada dia apenas pergunte: o que você quer que eu faça por você hoje? Novamente, essa recomendação não é nem um pouco simples.

Para nos colocarmos à disposição do outro e realmente ajudar, precisamos silenciar o incômodo que o sofrimento do outro gera em nós mesmos e abrir mão, pelo menos temporariamente, do que, para nós, seria a melhor solução.

Todos os avanços da ciência sobre o bem estar e a regulação das emoções negativas são unânimes em dizer que perceber o apoio constante das pessoas próximas e ter suas emoções (e a forma de lidar com elas!) reconhecidas e aceitas como válidas pelos que amamos é o que precisamos em momentos de crise. Por isso, pense duas vezes antes de insistir para alguém que sofre ir dar uma volta na praia, desabafar, comer um pote de sorvete ou qualquer outra estratégia que funciona para você. Você pode sugerir. Porém, a melhor maneira de ajudar é estar disponível para fazer o que a pessoa preferir.
Dra. Aline Sardinha – Psicóloga Clínica e Coach (CRP:34.146)






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