VIDA

31/03/2014
Irritabilidade

Transito engarrafado, reclamações da esposa, problemas com os filhos, prazos expirando no trabalho... e o elevador ainda fecha a porta um segundo antes de você conseguir alcançá-lo? Realmente hoje não é o seu dia... Pensando bem, sua vida está mesmo uma droga! Quem nunca teve pensamentos como esse e se sentiu muito, muito irritado? Um dia ruim é corriqueiro na vida das pessoas, mas se a maior parte dos seus dias são assim, é provável que algo esteja errado com o seu humor.

Sentir raiva e irritação quando suas expectativas não são atendidas é esperado, mas estar irritado o dia todo é um sintoma de desorganização do humor que chamamos de irritabilidade. A irritabilidade pode ocorrer por vários motivos: alterações hormonais, diferentes transtornos do humor, falta de sono, fome, cansaço, estresse... O primeiro passo é identificar se a irritação está ligada a algum desses fatores. Caso afirmativo, é importante tentar resolvê-los. Se não há nenhuma causa obvia, temos que ficar atentos.

Não se engane! Irritabilidade não é normal e tem tratamento. O mau-humor crônico pode ser sintoma de um transtorno de humor chamado Distimia, que é marcado pela persistência de um humor cronicamente “para baixo”, mau-humor e irritabilidade na maior parte do tempo, quase todos os dias.

A Distimia pode ser tratada com medicamentos antidepressivos e também com terapia cognitivo-comportamental. Mas mesmo quem não tem Distimia pode estar sofrendo (e fazendo que está em volta sofrer) com a irritabilidade. Se a sua irritação está trazendo prejuízos, uma estratégia útil é ficar atento aos pensamentos que precedem a irritação.

Da próxima vez que se sentir irritado, pergunte-se: O que estava passando pela minha cabeça que me fez sentir assim? O que, nesta situação, me deixou com mais raiva? Como já vimos em outro texto, os pensamentos que ocorrem automaticamente na nossa mente tem íntima relação com nosso estado de humor. Assim, se eu estou irritável, significa que eu estou mais propenso a interpretar os eventos e as atitudes das pessoas como irritantes.

Se passarmos o dia todo tendo pensamentos geradores de irritação sem nos dar conta, é provável que no fim do dia esse seja o sentimento predominante. Nesse momento, vale a pena parar, respirar e ponderar: será que hoje o meu dia foi realmente tão ruim assim? Será que eu consigo me lembrar de algo de bom que ocorreu hoje (certamente existe algo de bom!)? Será que a minha vida está assim tão ruim? Se a resposta para esta pergunta for sim, vale a pena procurar ajuda especializada. Se a resposta for não, experimente parar de reclamar! Isso, por si só, tem um impacto positivo no humor.

Dra. Aline Sardinha: Psicóloga clínica e coach (CRP/05:34.146)








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