VIDA

24/12/2014
Tensão pré-Natal

Nos meus pais ou nos seus? Quantos presentes são no total? Melhor fazer amigo oculto... agora tem aplicativo que faz, a gente não precisa nem se reunir para sortear... O quê? Tenho que comprar 25 presentes de amigo oculto? Então vamos nos meus e nos seus... e também na casa da fulana... Mas e a Lei Seca no meio do caminho? Esse ano nossos filhos vão passar com os sogros... O Natal dos adultos muitas vezes acaba sendo sobre tudo menos diversão.

Tenho observado entre amigos, no consultório e nas redes sociais reclamações mais ou menos declaradas, expressões de cansaço e propostas de fazer um Natal diferente: sem consumismo, sem correria, sem presentes, até viajando para uma ilha deserta. Parece que não está mesmo fácil para ninguém! Já foi o tempo em que tínhamos o prazer de preparar uma ceia de Natal com toda a família, comendo rabanadas ainda quentinhas ao longo da tarde, e os presentes, comprados há meses, lindamente arrumados embaixo da árvore. Fica a impressão de que hoje não há mais tempo para nada isso. O Natal virou uma grande dor de cabeça para muitos.

A pergunta aqui é: o que aconteceu? Pode ser que a culpa seja da pós-modernidade, da globalização, do Facebook ou da complexidade dos novos arranjos familiares. O fato é que poucas pessoas conseguem sair dessa roda viva e acabam se sentindo estressadas, culpadas, ressentidas e cansadas no final do ano.

Acho improvável que você consiga implementar qualquer uma dessas propostas alternativas de Natal sem maiores consequências sociais ou sem ter que, para isso, abrir mão de estar com as pessoas que lhe são importantes. Não que essas não sejam boas ideias, mas que se para organizar um simples amigo oculto já é uma confusão, imagine um Natal sem consumismo ou sem festas? Haja discussão! Talvez seja mais fácil se render ao sistema...

Como se diz popularmente, já que é inevitável, talvez a solução seja relaxar e deixar as coisas seguirem seu curso. Não estou sugerindo aqui abrir mão da reflexão crítica, mais do que válida, sobre os rumos que as festas de final de ano vem tomando. Minha sugestão é apenas fazer isso antes ou depois, não durante.

Nas próximas 24 horas, receba com delicadeza e generosidade o que vier: os comentários da sua sogra, as sugestões da sua mãe sobre como criar os seus filhos, os presentes que não tem nada a ver com você, as piadinhas recorrentes de certos familiares, a indignação dos presentes ao ouvir que você ainda tem mais três festas para ir na mesma noite, o engarrafamento, a divisão dos custos da ceia e tudo mais.

Tente não apenas não verbalizar, mas realmente silenciar seus julgamentos internos e viver as coisas como são. Aproveite para estar ali integralmente, ouvindo os sons, percebendo os aromas, olhando nos olhos das pessoas, notando acriticamente suas nuances. Deixe estar. Quem sabe assim seja possível se lembrar das suas reais motivações para estar vivenciando esse momento. Feliz Natal!

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga Clínica e Coach (CRP:34.146)




COMPARTILHE:

COMENTÁRIOS
Nome: Mensagem:
E-mail:
Informe esse número ao lado:
trocar imagem